Estava lendo “Modernidade Líquida”, de Zigmunt Baumman e comecei a pensar sobre esse assunto. Seriamente.
Em cada empresa que trabalho, sinto cada vez mais que o design é tratado como um “enfeitador” de produtos, instantaneamente consumidos e descartados. Conseqüência da pós-modernidade. Já que o ser humano, seus valores, se tornaram líquidos e maleáveis, assim como seu lugar no mundo e sua existência, o design segue o mesmo fluxo.
Por isso usamos tantos livros de referências: porque não temos nenhuma própria. Vamos copiando idéias de acordo com o público que gostaríamos de atingir. E se partimos para o autoral, fazemos o caminho contrário. É inevitável. Por essa maleabilidade e fluidez, que o dono do negócio bate o pé e quer falar mais alto. Se não temos consistência para argumentar quando algo funciona ou não, acabamos fazendo o que o dono quer, mesmo quando estamos em missões suicidas.
A pergunta é: para onde isso vai?
Para mim, como designer, parece que agora só a arte, a sua especialidade, sua busca e a necessidade latente de expressão individual, não referenciado no que já existe para gerar produtos, mas sim nos preceitos básicos das necessidades do ser humano (inclusive a de prazer estético), tem algum fundamento.
O Wolner é um chato, mas eu entendo plenamente quando ele diz que isto ou aquilo “não é design”. Pra ele não é mesmo. Estamos em outro mundo.
Fora, que, agora lendo teorias sobre usabilidade, percebo que ao invés de enriquecer o vocabulário visual das pessoas com design, corremos na direção contrária, colocando cada vez menos informação sem fazer com que o receptor pense. Complicado, né?
Mais textos em alguns dias, aguardem.


